As cartas de natal

copo

Antes de começar a contar a vocês essa história, gostaria de fazer uma breve reflexão sobre a vida, pois  vivemos em uma realidade distinta do mundo e muitas vezes distinta da realidade de muitos próximos a nós, por vezes por decorrências diárias nos lamentamos por aquilo que não conseguimos obter, ou por vezes desejamos coisas que não necessariamente são importantes, ou que se tornam superficiais, perto de tantas outras necessidades do nosso semelhante, realidades essas que por diversos motivos nos passam despercebidos ou não nos tomam a atenção necessária.

         Mais devemos ser atentos a tudo que ocorre em nosso meio de convívio social e perto dele, principalmente nos que somos voluntários e temos por responsabilidade apoiar e ajudar o próximo, com isso é essencial que olhemos para nosso redor e fora de nossa realidade constantemente, para ajudar socialmente a melhorar e mudar as inúmeras situações tristes que muitos vivem ainda.


        Como de costume todos os anos realizávamos campanhas de natal, no segundo ano em que estava no clube, a campanha que escolhemos foi a de recolher cartas de natal no correio e escolher alguns dos pedidos contidos nelas para assim tentar realizar eles. Todos os anos o correio recolhe várias cartinhas de crianças que levadas pelo espirito de natal escrevem ao papai Noel, com isso eles separam essas cartas e aqueles que desejam ajudar e realizar o pedido de algumas crianças que as deixam lá, recolhem as cartas e realizam esses pedidos

Em nossa cidade todos os anos pessoas realizam esse gesto, e naquele ano a ideia surgiu, principalmente por que muitos pedidos refletem uma realidade muito triste de pobreza e necessidade de coisas básicas da família de algumas crianças.

A ideia foi levada em reunião, enquanto discutíamos uma campanha de Natal para realizarmos naquele ano, a ideia foi aceita e na semana anterior algumas cartas foram trazidas a reunião para serem lidas e separadas, enquanto olhávamos alguns pedidos, muitos em que as crianças pediam brinquedos, bicicletas, e até mesmo celulares e computadores ao papai Noel, uma carta nos chamou a atenção, pequena e escrita com simples e poucas palavras, a criança relatava que gostaria muito que no natal o papai Noel a presenteasse com um prato de macarrão e um copo de Refrigerante.

 Quando aquela carta foi lida, muitos  na sala ficaram em choque, já havíamos lido várias cartas com inúmeros pedidos de crianças, muitos relativos a sua idade e ao seus desejos de infância, muitos até supérfluos perto desse que para nós que diariamente temos em nossa casa uma refeição farta e talvez uma vez na semana comemos macarrão e bebemos um refrigerante, ouvir aquilo como pedido de natal de uma criança, aparentemente pela letra tão pequena, nos chocou, até mesmo por que vimos ali a espontaneidade e a transparência no pedido daquela criança. Ela poderia ter pedido uma ceia de natal com inúmeras coisas deliciosas a se comer, porem ela em seu íntimo tirou um pedido tão simples mais muito significativo, de natal ela apenas queria  do papai Noel um prato de macarrão e um copo de refrigerante.

Aquilo jamais saiu da minha cabeça e com certeza foi uma coisa que nos fez refletir muito sobre tudo, exatamente tudo o que desejamos em nossa vida, será que Realmente precisamos de tudo aquilo que queremos? Será que não deveríamos ser mais gratos por tudo que temos ao invés de querer sempre mais? essa passagem que tive no clube sempre foi algo que levei para minha vida, aliás foi essas e tantas passagens que me modificaram como ser humano e me fizeram amadurecer como pessoa, por alegria entre as cartas escolhidas essa tomou um carinho especial para todos sem divulgação ou exposição alguma.

Decidimos então realizar não só o sonho da criança que fez o pedido de natal ao papai Noel, dizendo querer um prato de comida e um copo de refrigerante, como também montamos para a família uma cesta de natal, e uma cesta básica com vários mantimentos, e com isso entregamos uma semana antes do natal. Acho que jamais poderia esquecer o olhar daquela família e a alegria da criança que recebeu não só o seu pedido de uma refeição mas uma ceia para ele poder celebrar o natal com toda sua família.

    Essa é uma história que conto em todas as viagens do clube que faço, em conversas informais com amigos, da cidade e do clube, aos novos sócios que adentram no Leo clube e também em treinamentos.

Acho que pra mim essa foi uma das campanhas que mais me marcaram nos meus 4 anos de trabalho voluntario. Desejo um dia ainda que não se exista mais pobreza ou fome em nosso país e no mundo. Talvez ainda trabalharemos muito em nosso voluntariado para acabar com isso, porem se esse trabalho render sorrisos como aqueles e alegrias como a que sentimos naquele dia, com certeza a nossa passagem no mundo se tornara muito melhor e mais importante para a humanidade.

CaLEO ANA BEATRIZ GUIDONI

LEO CLUBE DE NHANDEARA

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