O comportamento em nossas

assembleias festivas e solenes

PDG ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI

            Muito se tem falado, e comentado, sobre o comportamento pessoal de determinados membros da nossa família leonística durante as assembleias realizadas pelos Clubes, ou até mesmo pela Governadoria, especialmente as festivas e solenes.

            A falta de respeito por quem está fazendo uso da palavra, algumas vezes, chega às raias do absurdo, tamanha a falta de consideração por parte daquela plateia que se destaca pelas conversas.

            Quando a presença, especialmente nas festivas dos Clubes, se restringe aos componentes do próprio Clube, tudo bem, o problema é deles. Agora, quando existe, nessas solenidades, presença de convidados especiais ou mesmo componentes de Clubes visitantes, a situação fere a imagem do Clube promotor do evento, sem falar, naturalmente, no descrédito que tal fato ocasiona ao movimento leonístico.

            O saudoso CL José Carlos Engler de Vasconcelos, que durante muitos anos dirigiu o então escritório do Brasil da Associação Internacional, produziu, antes do seu falecimento, um artigo que foi divulgado em inúmeras publicações leonísticas, e no qual, baseado na sua vasta experiência, comenta essa situação extremamente desagradável que ainda é registrada em um grande número de Clubes. Pela importância do texto, sempre atual, permito-me transcreve-lo para conhecimento dos interessados:

            “Um brilhante Companheiro foi convidado para fazer a saudação no aniversário de um Lions Clube.

            Caprichou no seu trabalho, pesquisou a história do Clube, o nome dos fundadores, particularmente dos que ainda se encontravam como associados ativos, a primeira diretoria, os associados que mais se destacaram em nível de Clube, Distrito e Distrito Múltiplo e verificou se algum deles havia servido a nível internacional.

            Catalogou as principais iniciativas do Clube no campo de serviços comunitários no seu bairro, na sua cidade e os que ultrapassaram os limites municipais, tendo beneficiado áreas estaduais e nacionais.

            Iniciada a reunião, ao chegar a sua vez de falar, foi antes apresentado por um Companheiro que havia se inteirado do seu curriculum e dispensou-lhe todos os elogios a que fazia jus.

            E o orador convidado, feliz e confiante, iniciou o seu belo discurso. Infelizmente não conseguiu manter-se nem feliz e nem confiante por muito tempo. Começaram a brotar as ondas de conversas. Poucos audíveis, a princípio, e depois em um crescendo, até que os poucos interessados e interessadas na saudação já não a conseguiam ouvir. Não é discriminação, mas como falavam as mulheres, inclusive as dos Companheiros que compunham a mesa dirigente.

            Em dado momento o orador parou de falar. Percebemos a sua mágoa, a sua frustação, a sua irritação, o seu desejo de encerrar o discurso pela metade. Achou, porém, que seria uma descortesia para com os que o haviam convidado, como disse mais tarde. E decidiu prosseguir. Pouquíssimas pessoas notaram a pausa, a hesitação, o mal estar. O sino, discretamente tocado pelo Presidente, não conseguiu atrair a atenção de ninguém. Já não eram ondas de conversas, eram vagalhões.

            Ficamos pensando no que é melhor fazer em tais situações. Deixar a coisa correr e, após a reunião, pedir desculpas ao orador? Bater o sino com força e anunciar que o orador interromperá o seu discurso até que se restabeleça o silêncio, apelando para a boa educação dos presentes? Recomendar aos que estão mais interessados em conversas do que ouvir que se retirem e vão conversar fora do salão, até que termine o discurso? Não sei! Só sei que tais coisas jamais deveriam acontecer, se partirmos do princípio de que Domadoras e Leões são pessoas educadas.

            Ou cortamos todos os discursos de reuniões festivas e deixamos de cultuar datas importantes, concentrando-nos apenas na alegria, música, festividades, danças e lazer?

            Em reunião menos formal, vimos um orador não conseguir falar em virtude de dois Companheiros que conversavam animadamente. A piada “espero não estar atrapalhando os Companheiros Fulano e Cicrano” não foi sequer ouvida. Então ele deixou o seu lugar e colocou-se entre os dois conversadores, separando-os, para hilaridade geral.

            ELES NÃO FAZEM POR MAL. MAS É LAMENTÁVEL. CHEGA A SER UM INSULTO. Eis um vício das nossas reuniões que precisa ser extirpado.”

            Existe conserto? Existe! E o que fazer? É preciso reverter a situação, com base em uma atividade esclarecedora e disciplinadora que deve partir do próprio Clube. E o artigo transcrito acima pode servir de ponto de partida para essa finalidade. Ele poderá ser lido, analisado e discutido pelos membros do Clube em suas reuniões normais. Não apenas lido, analisado e discutido, mas principalmente colocado em prática pelos que cometem essa grosseria e cobrado com rigor por todos aqueles que sempre agiram com respeito em nossas festividades de maior realce.

            Esta, infelizmente, não é uma mensagem tratando de assunto agradável, mas sua abordagem é oportuna diante de fatos que ainda continuam a ser constatados em alguns Clubes.

            Espero que esse meu desgaste, feito em nome de um leonísmo saudável, tenha valido a pena e que encontre alguma receptividade positiva.

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