O Lions e a globalização

PDG ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI

            Estamos no décimo oitavo ano do terceiro milênio e podemos sentir que o mundo de hoje já é uma aldeia global. A globalização, não apenas da economia, mas em todos os demais segmentos da sociedade, está provocando aquilo que podemos chamar de “integração dos povos”, sem o que os países que não aderirem não sobreviverão ou, se o conseguirem, ficarão limitados e circunscritos ao seu próprio território, sem perspectivas e sem evolução.

            Isso tudo está criando uma enorme expectativa para relação ao que teremos pela frente neste século, que desde o seu início está coincidindo com a globalização.

            E o leonismo, como vai ficar nessa história? Precisamos refletir!

            Da mesma forma como tudo no mundo de hoje, o leonismo também têm que continuar evoluindo e se modernizando. É verdade que algumas nuances de modernidade, nos últimos anos, têm sido incrementadas no movimento, mas, em meu modo de ver, muito aquém das nossas necessidades.

            Desde sua fundação, em 1917, nossa confraternidade vem sendo regida de acordo com orientações de um poder central, ou seja, Lions Internacional, que busca, a seu modo, adequar-se às realidades de cada país onde existem Lions Clubes. Não há como negar, contudo, que essas diretrizes precisam ser revistas e atualizadas em intervalos de tempo não muito grandes, de forma a acompanhar e evolução dos tempos e dos costumes.

            Alguém que ainda possui alguma dúvida poderá indagar: Mas, mudar o que? Eu sou convicto na minha resposta: principalmente a mentalidade. Nós, da família leonística, precisamos urgentemente mudar nossa mentalidade.

            É preciso, em primeiro lugar, que nos conscientizemos que pertencer ao Clube não é um privilégio concedido a pessoas influentes na sociedade e que, ao se associarem, passarão a ter mais status, a ser vistos com melhores olhos ou que frequentarão as colunas de jornais e revistas.

            Precisamos estar cônscios que ser Leão é estar disposto a servir desinteressadamente, com o objetivo maior de minorar os problemas existentes em cada comunidade. Não é difícil! Basta ler, entender e praticar nosso Código de Ética e os nossos Propósitos.

            Da mesma forma, ser antigo no Clube ou ocupar cargos na hierarquia leonística não torna alguém mais importante, com mais direitos, autoridade ou ascendência sobre os demais. Ao contrário, torna-se muito mais responsável porque mais consciente e conhecedor da filosofia do movimento, e, por conseguinte, estar mais interessado em servir do que se servir.

            Alguns Clubes de Lions, que são a base do leonismo e precisam ser reconhecidos como tal, ainda enfrentam problemas motivacionais que comprometem sua estrutura.

            Nós temos falhas? Temos, e não são poucas!   Temos falhas na deficiência estrutural das nossas unidades. Temos falhas no aspecto amadorista do trabalho que desenvolvemos. Temos falha na venda do nosso principal produto, que é a marca LIONS. Temos falhas na falta e objetividade nas reuniões que são realizadas, em todos os níveis. Temos falhas na falta de uma ação prática e real em nossos procedimentos. Temos falhas no terrível desconhecimento que grande parte dos nossos Companheiros, Companheiras e Domadoras têm dos reais objetivos do leonismo, incluindo nossos Estatutos e normas regulamentadoras. Temos falhas na descaracterização que muitos Clubes deram à sua atuação, transformando-se em Clubes Beneficentes ao invés de Clubes de Serviço. Temos falhas na ausência de campanhas que marquem nossa presença nas comunidades, fazendo com seus membros se aliem aos nossos. Temos falhas no desenvolvimento de ações que envolvam as lideranças das comunidades. Temos falhas na injustificada atuação no que diz respeito ao nosso quadro associativo. E por aí vai!

            Já estou quase que cansado de escrever que, infelizmente, as falhas acima apontadas ainda são constatadas em muitos Clubes.

            Por outro lado, isso me faz reconhecer que os altos dirigentes também são responsáveis pela falta de motivação que muitas vezes atingem nossas unidades leonísticas, que são os Lions Clubes.

            E os fatos estão aí, apontados e registrados de forma cristalina.

            Os Clubes não estão tendo a atenção que deveriam merecer da cúpula que comanda o leonismo brasileiro.

            Ouso dizer, por conta e risco, que muitos daqueles que dirigem o leonismo não estão nem aí com os Clubes, com seus problemas, com a sua falta de motivação. Para muitos deles, está tudo bem desde que se pague as taxas cobradas.

            Está na hora de manifestarmos nossa discordância com esse estado de coisas, com a falta de atenção que a cúpula dirigente dispensa às nossas unidades de base. E nós temos força para isso!

            Os Clubes não são o alicerce da pilastra leonística? Eles estão tendo a atenção que deveriam merecer dos nossos dirigentes maiores?

            Só por curiosidade, uma indagação que poderá ser desdobrada: qual Presidente de Clube já recebeu alguma correspondência direta, ou um simples bilhete, do Presidente do Conselho de Governadores do Distrito Múltiplo, incentivando-o à prática do serviço desinteressado, mostrando interesse pelas coisas do Clube, ou motivando-o para agilizar suas atividades comunitárias? Poderão argumentar que são centenas de Clubes e que o mesmo não teria chance de uma atenção individual. Concordo! Mas o que fazem suas centenas de colaboradores diretor, e que igualmente o representam por delegação de poderes? E o que de prático esse mesmo Conselho já fez pelos Clubes? Quando muito uma mensagem geral enviada através das nossas publicações oficiais!

            Nossos dirigentes maiores estão incrustados em órgãos com nomes pomposos, com centenas de cargos, que se reúnem periodicamente, mas cujos resultados raramente chegam aos Clubes. E quando chegam, repito, somente através de algumas publicações oficias que normalmente chegam aos Clubes com muito atraso, e muitas vezes com os fatos já ocorridos ou com data de validade vencida.

            E os Governadores e Ex-Governadores de Distrito, inclusive eu, em parte, também somos responsáveis por muitas omissões ou falta de comunicação com os Clubes.

            As bases dificilmente são ouvidos. E nas raras vezes que o são não tem sua opinião respeitada. Querem um exemplo? Não sou saudosista, mas, cerca de vinte anos atrás, numa Convenção Nacional (que belos tempos!), houve uma eleição para que o Brasil elegesse seu Diretor Internacional. Os Clubes, naquela convenção, e pelo voto dos seus Delegados, indicaram quem deveria ser o candidato a Diretor. A cúpula do leonismo brasileiro não aceitou o resultado da eleição e nem a indicação. Reunida a quatro paredes, resolveu que o candidato seria outro. E foi! Tudo pela conveniência do poder. E de todos os Clubes do Brasil que tiveram os votos dos seus Delegados usurpados, quem protestou ou se manifestou? Absolutamente nenhum!

            Um outro absurdo que aconteceu no leonismo brasileiro, na minha modesta opinião, foi o redistritamento do antigo Distrito Múltiplo L. Para que serviu, senão para criar mais e mais cargos para distribuição àqueles que são sedentos de poder? Esse malfadado redistritamento serviu tão somente para acabar com a unidade leonística brasileira. Além de muito mal difundido e explicado na ocasião, ele atendeu apenas os interesses de dois futuros Distritos Múltiplos: o nosso LC e o LD. Por que? Porque esses Distritos, na ocasião, ficaram com 67% dos Leões do Brasil, em áreas geográficas relativamente pequenas em relação ao tamanho do território nacional, em detrimento dos futuros Distritos Múltiplos A e B, que ficaram com apenas 33% dos Leões e territórios gigantescos. Daí ser fácil entender porque os votos favoráveis ao redistritamento atingiram 72,6%. Sempre fui contra essa divisão desde o início das discussões (que terminaram com essa eleição que ocorreu no ano leonístico 1997/1998, quando eu era Governador do Distrito), por coerência e porque a considerava totalmente desnecessária. O tempo passou e o resultado aí está. Além de mais cargos em todo Brasil, quais os benefícios ou resultados práticos que o redistritamento trouxe para o leonismo brasileiro. Quem puder que me indique pelo menos um!

            Enquanto isso, os Clubes continuam carecendo de informações diretas ou qualquer tipo de incentivo. Cada um que se vire por si!

            Apesar desse quadro sombrio, que não foi pintado por mim, precisamos todos, aqui nas bases, continuar atentos para que a chama do nosso ideal não seja extinta pela ausência dos dirigentes que enxergam unicamente o poder.

            O leonismo tem um início, um meio e um fim. O início do leonismo é a sua FILOSOFIA. O meio do leonismo é o COMPANHEIRISMO. E o fim do leonísmo é o SERVIÇO.

            A solução que, no meu entender, apresentará maior resultado para o crescimento e melhoria do leonismo, é investir em informação e conscientização. Precisamos de um programa voltado para a conscientização. Precisamos começar a reclamar junto aos nossos dirigentes. Precisamos continuar defendendo a filosofia do leonismo.   Precisamos nos unir através do sadio companheirismo. Precisamos continuar o serviço desinteressado. Precisamos aceitar a verdadeira missão que temos para o desenvolvimento do leonismo. Precisamos aceitar a importância das mudanças que são impostas pelo mundo moderno. Precisamos rever a necessidade que temos de mudar a mentalidade que aí está.

            Recebo, constantemente, críticas e contestações a respeito das minhas opiniões e dos meus pontos de vista. Entretanto, nada vai me fazer mudar de opinião a não ser mudanças efetiva de atitudes, de comportamentos e, principalmente, de postura, tornando-a mais humilde e adequada à filosofia da nossa confraternidade.

            Caso contrário, acredito que o leonismo corre o sério risco de não sobreviver à globalização.

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