A ilusão de uma proposta

PDG ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI

            O Conselho de Ex-Governadores do Distrito LC-6 (CEG) existe há dezenas de anos. Jamais sofreu qualquer modificação significativa em seu funcionamento. Está engessado pelo Estatuto do Distrito LC-6, que o define como um órgão “opinativo e consultivo”, que tem por finalidade “dirimir dúvidas quanto à aplicação dos objetivos leonísticos, da infringência ao Código de Ética, e outros assuntos a critério do Governador”.

            Tenho para comigo que isso é pouco, muito pouco! Tenho a sensação que os Ex-Governadores precisam dar ao Conselho, que tem sua cultura alicerçada em práticas do século passado, o ar de modernidade exigida pelo leonísmo dos tempos atuais.

            Tomei a liberdade, ou ousadia, de propor mudanças no funcionamento do CEG. Encaminhei meu posicionamento ao IPDG Luiz Antonio Chiquetto, presidente do Colegiado neste ano leonístico. Sugeri que ele submetesse a proposta aos PDGs durante a 1.ª reunião que seria realizada em Orlândia, no dia 28 de julho de 2018. Tomei a precaução de enviar cópia da minha proposta para todos os Ex-Governadores do Distrito.

            Chegou o dia da reunião! Como pouquíssimos membros do Colegiado tinham em mãos cópia da proposta que lhes foi enviada, o IPDG presidente autorizou que eu fizesse a leitura da mesma, que estava embasada nos seguintes termos:

            “Todos conhecem a admiração e respeito que tenho pelos queridos Ex-Governadores que fazem parte do Conselho. E essa admiração não é apenas um conceito pessoal, mas, também e acima disso, um reconhecimento por tudo que eles fizeram, muitas vezes com o próprio sacrifício individual, pelo engrandecimento e desenvolvimento do nosso Distrito.

            E é com base nesse respeito e admiração que me permito fazer alguns questionamentos: Para que serve ou para que está servindo o nosso Conselho de Ex-Governadores? O que de prático, nos últimos anos, o Conselho propôs ou inseriu na administração do Distrito? Sugeriu ou lutou por alguma mudança? Fez valer a sua vontade, mesmo que para isso tivesse que se insurgir contra alguma norma? Alguma vez levantou a voz contra alguma coisa que estivesse contrariando vontades? Não! Durante todos esses últimos anos passou discutindo coisas que não levaram a nada. Discutimos, discutimos, mas voltamos sempre para um lugar de onde nunca saímos.

            O mundo leonístico mudou; os velhos costumes do Conselho, não.

            Sei que o CEG está engessado pelo que determina o Estatuto do Distrito. Nosso diploma consta, em seu artigo 18, que o Conselho é um órgão ‘opinativo e consultivo’, e que tem por finalidade ‘dirimir dúvidas quanto à aplicação dos objetivos leonísticos, da infringência ao Código de Ética, e outros assuntos a critério do Governador’. Isso é muito pouco, pouquíssimo, e considero que devemos exigir mudanças se quisermos ser realmente um órgão objetivo e atuante. Haverá necessidade de mudança no Estatuto? Que se mude! Mahatma Gandhi já deixou escrito que temos de nos tornar a mudança que queremos ver.

            Considero que a atuação, o esquema e a metodologia do Conselho está ruim. E se está ruim, pode piorar com a modernização que está à vista. E esta é a máxima que vem ao encontro daquilo que estou ousando propor.

            Precisamos nos modernizar e tentar alcançar, agora, uma lucidez que está ausente do CEG há muitos e muitos anos. Se não atentarmos para as mudanças que são necessárias, tudo continuará exatamente como está.

            Tenho certeza que alguns de nós, Ex-Governadores, veem com desalento nossa própria atuação junto ao Conselho.

            Na verdade, em minha modesta opinião, se uma modernização no CEG não for efetivada com responsabilidade, as coisas tendem a piorar inexoravelmente. Por outro lado, uma mudança de atuação de nossa parte será de grande valia para o próprio Distrito. Melhorar nossa atuação para fortalecer a Governadoria não é uma tarefa impossível, nem mesmo complicada.

            Dalai Lama disse que só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para as mudanças que estou pretendendo sugerir.

            O CEG precisa restaurar a esperança de contribuir para o fortalecimento do Distrito. Vencer o pessimismo e a passividade, eis o desafio. Precisamos analisar com seriedade quem somos e para onde pretendemos ir.

            Ou mudamos radicalmente nossa forma de agir ou ficamos parados no espaço/tempo do nada, deixando tudo como está para ver como fica.

            Não vamos cair no delírio de voltar ao passado para saber como a nossa situação atual começou ou procurar encontrar culpados. O importante, no caso que estou propondo, é de tomada de posição e coragem para mudar radicalmente o estado atual. É hora de examinar se vale a pena manter o CEG no estado atual, que soa ineficaz e obsoleto.

            O que estou comentando e propondo como sugestão:

  1. 1)Os objetivos do Conselho

           Muitos PDGs costumam dizer que o CEG é um grande colaborador da Governadoria. Porém, quando foi a última vez que algum de nós contribuiu com alguma ideia efetiva que tenha sido aprovada pela Governadoria? Experimentemos fazer um exercício: que cada um de nós, Ex-Governadores, pegue uma folha de papel e anote uma, duas ou três efetivas indicações que tenha feito, nos últimos dez anos, para ajudar ou mudar procedimentos da Governadoria; e ao lado de cada uma delas escreva o resultado apresentado e as lições aprendidas.

            Precisamos parar de sonhar que o nosso Conselho é perfeito.

            J. R. Rowling já escreveu que ‘não faz bem se esconder em sonhos e esquecer de viver’. É preciso ter sonhos, pois são eles que nos mantém quando as coisas parecem sombrias. Eles são o que nos motivam e nos fazem manter um ritmo constante. No entanto, passar muito tempo sonhando pode nos levar a esquecer de viver o momento atual.

            O Conselho não deve se limitar a ser um órgão ‘opinativo e consultivo’ da Governadoria.

            O CEG deve ser um órgão orientador, facilitador e auxiliar da Governadoria na implementação dos seus objetivos e atuar no aprimoramento das suas próprias metas. E não venham dizer que isso seria uma interferência na atuação do Governador, pois é exatamente o contrário: é uma efetiva colaboração para que ele tenha êxito e sucesso na sua missão. Como poderá ser feito isso? Tentarei explicar nos próximos itens.

            Haverá necessidade de mudança do Estatuto? Haverá! Que se mude! A Convenção Distrital está aí para aprovação dos projetos de resolução (moções) que se fizerem necessários.

            Aliás, no meu modesto entendimento, o Conselho poderá, ao invés de dois ou três artigos, ter um título específico e exclusivo no Estatuto do Distrito. Exemplo: ‘Título X – Do Conselho de Ex-Governadores do Distrito’.

  1. 2)Propostas do Conselho

            O CEG poderá analisar e discutir assuntos que envolvam a parte administrativa do Distrito e, ao final, recomendar ao Governador que ele, se achar por bem, e após ouvido o Conselho Distrital, os implante através de resoluções. Isso poderá, inclusive, aliviar o trabalho nas Convenções Distritais.

            Dou um exemplo prático:

            Durante a 19.ª Convenção Distrital do LC-6, realizada na cidade de Franca, no dia 29 de abril de 2018, foram analisados e submetidos à apreciação e aprovação dos Delegados credenciados 12 Projetos entre os de Resolução e Recomendação. Destes, apenas 2 diziam respeito a
Estatutos e Regulamentos. Os outros 10 que foram aprovados dizem respeito a assuntos exclusivamente administrativos. Pois bem! Estas 10 propostas poderiam ter passado pelo crivo do CEG, que as analisaria e, depois, com as devidas justificativas, via presidente do Conselho, seriam encaminhadas ao Governador do Distrito. Este, após os trâmites regimentais, as implantaria no Distrito através de resoluções. Apenas as propostas relativas a Estatuto continuarão sendo analisadas e aprovadas na Convenção Distrital.

            Isso, na prática, faria o Conselho trabalhar efetivamente e colaborar com eficácia junto à Governadoria. A efetivação desta proposta daria responsabilidade ao CEG e aliviaria o trabalho do Governador.

  1. 3)Reuniões fechadas

            Desde que participo do Conselho suas reuniões são fechadas, ou seja, não se permite que sejam assistidas por ninguém. Apenas na gestão do PDG José Gueia Mas, pelo que me lembro, ele permitiu que as Domadoras permanecessem no recindo.

            Um verdadeiro absurdo!

            Todas as reuniões leonística são abertas e podem ser assistidas por qualquer associado do Lions que esteja em pleno gozo dos seus direitos. Inclusive na Diretoria Internacional.

            Por que apenas as reuniões do Conselho são fechadas? Precisamos eliminar essa prática arcaica e ditatorial.

            As reuniões do CEG precisam ser abertas a todos os interessados, como assistentes. Estamos, hoje, numa política de retrovisor.

  1. 4)Divulgação dos trabalhos

            Pouquíssimos Clubes  e associados do Distrito sabem, hoje, o que é o CEG e quem é o seu presidente. Eu pesquisei! Quem desejar que vá a campo e confira!

            E por que? Porque não há divulgação do nosso trabalho, quem somos ou porque existimos!

            As atas do Conselho são editadas e distribuídas apenas para os Ex-Governadores. Os conteúdos das mesmas ficam entre nós. Por isso somos desconhecidos! Por isso ninguém sabe o que fazemos!

            Há necessidade da divulgação dos nossos trabalhos. Cópias das nossas atas devem ser enviadas aos Clubes, ao staff da Governadoria, aos Coordenadores de Região e Divisão, aos Assessores e Assistentes Distritais, e divulgadas no site do Distrito.

            Os Clubes precisam saber que estamos abertos e dispostos a aceitar qualquer sugestão para análise e eventual encaminhamento.

            Somente dessa forma é que poderemos participar e colaborar com a unidade distrital, tão necessária à implementação da prática leonistica.

  1. 5)Participação do Governador e dos Vice-Governadores

           É costume convidarmos o Governador e os Vice-Governadores do ano leonístico para que participem das nossas reuniões ‘como convidados’.

            Está certo que o Conselho é dos Ex-Governadores. Mas por que os convocarmos como convidados? Convidado significa que não devem ‘dar palpites ou emitir opiniões’. Mas amanhã eles não estarão entre nós como Ex-Governadores?

            Então, no meu entendimento, eles devem participar como se fossem membros do CEG, opinando, trazendo sugestões, apresentando propostas. Afinal, muitas das sugestões ou propostas comentadas no Conselho poderão ser absorvidas ou influenciarão em suas futuras gestões. Ou isso não é verdade?

  1. 6)Utilização do nosso espaço no site do Distrito

            O Conselho possui um espaço no site do Distrito LC-6. Mas o que ali está publicado são apenas registros administrativos (quem são os membros, relação dos PDGs falecidos e pouca coisa mais). Até nosso Regimento Interno que lá está inserido é totalmente defasado e do ano de 2010, quando duas ou três edições posteriores já foram editadas e aprovadas.

            Precisamos usar o site do Distrito para divulgação do nosso trabalho.

            Precisamos nos abrir para um diálogo e entendimento com os Clubes e dirigentes do Distrito. Podemos ser um canal de comunicação entre eles e a Governadoria. Mas, para isso, é preciso que nos conheçam e saibam para o que viemos.”

           Esta foi minha proposta lida na reunião do Conselho.

            Existe um princípio que diz: para acabar com uma ideia, leve-a a uma reunião. Dito e feito! Após o término da minha leitura, o PDG Piton fez um aparte e se declarou visível e radicalmente contra a proposta, dizendo que o Estatuto do Distrito atesta que o Conselho é apenas um órgão opinativo da Governadoria, que está escrito e que ninguém deveria mudar nada. Foi o bastante para colocar lenha na fogueira, motivando a intervenção da maioria dos presentes à reunião. Diante do impasse que foi criado, depois dos prós e contras, e com intervenção do presidente do CEG, por sugestão dos membros do Colegiado foi proposto que eu deveria reenviar a proposta para nova análise e manifestação dos PDGs (isso eu já havia feito com grande antecedência), a fim de que o tema voltasse a ser discutido na próxima reunião.

            No dia seguinte ao da reunião, ainda decepcionado com o resultado, e após avaliar os acontecimentos, enviei o seguinte e-mail para os Ex-Governadores do Distrito LC-6:

            “Sobre a discussão gerada durante a 1.ª reunião do Conselho de Ex-Governadores do Distrito LC-6 deste ano leonístico, realizada no último dia 28, em Orlândia, e registrada quando da análise da proposta que fiz para alterar os procedimentos do Colegiado, tenho a comentar que decidi o seguinte:

  1. 1)Depois da discussão iniciada pelo PDG Piton, que foi visível e radicalmente contra a proposta, e após intervenção de inúmeros Ex-Governadores, ficou decidido, pelo Colegiado, que eu deveria reenviar a proposta para nova análise e manifestação dos PDGs, a fim de que o assunto voltasse a ser analisado na próxima reunião.
  1. 2)Não vou reenviar a proposta!

 

  1. 3)Decidi que vou retirá-la de pauta e não mais apresenta-la (vou arquivá-la definitivamente ou jogá-la no lixo). Quem quiser propor alguma alteração no funcionamento do Conselho, que o faça. Ou deixe ficar como está para ver como é que fica, mantendo o Colegiado com uma estrutura do século passado e sem se ater às modernas modificações que estão envolvendo o leonismo. Eu não emitirei mais qualquer ‘palpite’ a respeito do assunto.

 

  1. 4)Essa minha decisão de arquivar definitivamente a proposta ou jogá-la no lixo não impedirá, contudo, que eu a divulgue e aborde o assunto em uma das mensagens que público na minha coluna do site do Distrito. Isso eu farei! Não tenham dúvidas! Só ficarei impedido de fazê-lo se algum dos pretensos donos do Distrito tomar alguma providência para tirar a coluna do sistema. E o farei porque continuo acreditando que os objetivos e as propostas do CEG devem ser mudados; porque não aceito mais reuniões fechadas; porque acredito que a divulgação dos trabalhos do Conselho deve ser feita para todos os Clubes do Distrito e seus associados; porque tenho convicção que o Governador e Vice-Governadores do ano não devem participar das nossas reuniões apenas como convidados e ouvintes; porque acredito que precisamos ocupar nosso espaço no site do Distrito para divulgação dos nossos trabalhos.

 

  1. 5)De minha parte, assunto encerrado e liquidado.”

 

            Fiz uma tentativa! Quero viver o leonísmo que vigora em 2018 e não no século passado. Não deu, paciência! Ficou a ilusão de uma proposta que julgo perfeitamente exequível para ser implantada em nosso Conselho de Ex-Governadores do Distrito LC-6.

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