Incrível, mas ainda existem dúvidas:

“Juvenil” ou “Varonil”

PDG ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI

            Os membros da família leonística respeitam nossa Bandeira como símbolo sagrado da Pátria, e a cantam em prosa e verso. Todos nós cantamos o seu Hino com respeito e, geralmente, mostramos entusiasmo quando da entoação do seu estribilho.

    Mas, por incrível que possa parecer, ainda tem muita gente entre nós com certa dúvidae ainda se embananamna hora de cantar “Juvenil” ou “Varonil”.

            O assunto já foi esgotado em incontáveis e diversificadas publicações editadas ao longo dos últimos anos. No entanto, sempre é bom mais alguns registros e considerações a respeito do tema, visando dirimir definitivamente dúvidas que ainda possam existir.

            O poeta Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918), em seus versos, sacramentou a palavra “Juvenil”, já que ele escreveu suas consagradas palavras para que as crianças das escolas públicas do Rio de Janeiro, a quem foram dedicados os versos, tivessem uma canção para acompanhar o hasteamento da Bandeira Brasileira ao topo dos mastros.

            Olavo Bilac compôs o poema a pedido do prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, que encarregou o professor Francisco Braga, da Escola Nacional de Música, de criar uma melodia apropriada à letra, que foi executada pela primeira vez em 24 de novembro de 1905, durante a inauguração da escola Tiradentes.

            O hino de Bilac foi adotado pela prefeitura em 1906, passando, a partir daí, ser cantado em todas as escolas do Rio de Janeiro. Aos poucos, sua execução estendeu-se às corporações militares e às demais unidades da federação, e se transformou, extraoficialmente, no Hino à Bandeira Nacional, que é este conhecido por todos nós.

            A confusão com “Varonil” começou na segunda década do século passado. Bilac tinha trânsito livre pelos gabinetes da República. Era o maior poeta brasileiro. Era um dos líderes dos movimentos patrióticos. Era defensor da obrigatoriedade do serviço militar em substituição ao sistema de “sorteio para o serviço militar”, em que só os pobres tinham o dever de servir à Pátria. Foi graças a esse prestígio que as Forças Armadas incluíram o cântico do Hino à Bandeira nas cerimônias militares, tendo, para isso, obtido autorização do poeta para usar “Varonil” e não “Juvenil”, conforme cantavam nas escolas, pois, afinal, os soldados eram varões e não infantes.

            Vale a pena alguns registros, para dirimir eventuais dúvidas:

           1.º) - Não existe nenhum ato oficial do governo federal adotando ou modificando a letra do Hino à Bandeira, na forma expressa por Olavo Bilac.

            2.º) - O boletim do 1.º trimestre de 1906, da Intendência Municipal, publicado pela Diretoria Geral da Polícia Administrativa, Arquivo e Estatística, da prefeitura do Rio de Janeiro, apresenta a letra e a partitura do Hino à Bandeira, como resultado das gestões de Francisco Pereira Passos. Nessa publicação, a mais antiga sobre o registro dos fatos, aparece a palavra “Juvenil”.

            3.º) – O livro “A Bandeira do Brasil”, de Raimundo Olavo Coimbra, 2.ª edição, publicado em 1979 pelo IBGE, publica na página 505 o hino com a palavra “Juvenil” no estribilho.

            4.º) - Consulta à enciclopédia “Delta Larousse”, edição de 1970, no verbete “Hino” acha-se estampado trecho da partitura do Hino à Bandeira, em que mencionada a palavra “Juvenil”.

            5.º) – Nos tempos atuais, estando facultado às mulheres o ingresso nas Forças Armadas e nas Polícias Militares, fica evidente a impropriedade da expressão “Varonil” (varão, homem, pessoa do sexo masculino, do latim vir=vire) em favor de “Juvenil” (jovem de ambos os sexos). Quando a unidade estiver formada, em continência, e for necessário cantar o hino, a mulher, mesmo fardada, não é “Varonil”.

            6.º) – Aqui no âmbito do Distrito LC-6 temos um registro: no boletim “A Voz do Imperador”, edição de novembro de 1990, do Lions Clube Franca do Imperador (à época pertencente ao Distrito L-17), consta a seguinte citação: “Na segunda linha do estribilho do Hino à Bandeira, onde se lê ‘em nosso peito juvenil’, cabe o seguinte comentário: reserva-se a expressão ‘varonil’ para as Forças Armadas (Exército, Marinha, Aeronáutica) e a expressão ‘juvenil’ para o povo em geral, independentemente de sexo ou idade.” Pelo que foi exposto no item acima, referida citação caiu no desuso e está sem efeito.

            É isso! Olavo Bilac escreveu “JUVENIL” e não “Varonil”. E isso nunca foi revogado. Portanto, em nossa próxima solenidade leonística, encha o peito e cante: Receba o afeto que se encerra em nosso peito JUVENIL, querido símbolo da terra, da amada terra do Brasil.

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